segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A Dark Song (2016)

Sinopse: Sophia está inconsolável desde a morte prematura do seu jovem filho. Numa tentativa desesperada, procura Solomon, um ocultista com experiência numa invocação remota que Sophia acredita que a possa pôr em contacto com a filha. Fechados numa casa de campo, o par submete-se a um longo e penoso ritual, pondo em risco a sua segurança física e psíquica, na procura do acesso a um mundo para além da compreensão de ambos. No escuro, descobrem que já não estão sozinhos na casa. Estão agora num mundo de anjos reais e demónios reais. 

Os rituais de feitiçaria raramente têm um tratamento tão completo como o que deu o realizador irlandês Liam Gavin na sua primeira longa. Com apenas um cenário e dois actores, “A Dark Song” cria terror de forma simples e eficaz através da interacção entre elementos sobrenaturais e humanos.

Opinião: Esta sinopse interessou-me desde logo pela originalidade da ideia da execução de um ritual com vista a entrar no mundo dos mortos sem ser a habitual história de possessão. No entanto, o resultado final não foi muito impressionante.
A primeira hora da acção suscita muitas dúvidas relativamente as verdadeiras intenções das personagens no que diz respeito ao objectivo final do ritual. Ficamos sempre na dúvida com Sophia pois dá a entender haver mais qualquer coisa, e com Solomon, um ocultista que devido à sua maneira de ser despoleta dúvidas quanto à veracidade das suas capacidades do ocultismo. À medida que caminhamos para o final, o medo e a entrada num mundo sobrenatural leva-nos até a um final pouco interessante. 
O espaço de acção e as duas personagens fechadas por tantos meses cria a tensão perfeita e é de salientar a atenção dada aos pormenores do ritual.
Um filme interessante.


Nota: 6/10

domingo, 10 de setembro de 2017

Berlin Syndrome (2017)

Sinopse: De férias em Berlim, a fotógrafa australiana Clare conhece Andi, um carismático berlinense. Uma atracção imediata ocorre entre os dois. Segue-se uma noite de paixão. Mas o que parece ser inicialmente o começo de um romance assume contornos inesperados e sinistros quando Clare acorda na manhã seguinte para descobrir que Andi saiu para trabalhar e a trancou no apartamento. É claro que se pode tratar de um erro normal, mas Andi não tem intenções de a deixar sair. Nunca mais. A realizadora australiana Cate Shortland adapta o livro homónimo de Melanie Joosten, editado em 2011, que mergulha nas complexidades da relação entre raptor e refém.

A conterrânea de Shortland, a actriz Teresa Palmer, tem aqui um papel à altura das suas capacidades, algo que ainda não teve desde que se mudou para Hollywood.

Opinião: Mais um thriller que parecia prometer um bom bocado e que de facto faz aquilo a que se propõe. A clara analogia do título com o síndrome de Estocolmo despertou sem dúvida o interesse.
A acção tem um evoluir bastante lento mas envolvente principalmente no que diz respeito à relação que a pouco e pouco se constrói entre Clare e o seu raptor. Assistimos à subversão de Clare dado que não consegue escapar do seu cativeiro decidindo conformar-se e ao mesmo tempo á forma como Andi leva a sua vida normalmente sem ninguém desconfiar.
Toda a tensão e simpatia que acabamos por criar por ambas as personagens deve-se à representação espectacular destes dois actores, com destaque para a actriz que nos faz quase sentir como ela chegando a nutrir simpatia pelo raptor.
Recomendo.

Nota: 7/10

sábado, 9 de setembro de 2017

Hounds of Love (2016)

Sinopse: Em plenos anos 1980, a jovem adolescente Vicki Maloney é raptada por um casal, John e Evelyn White. Vicki é acorrentada e está prestes a enfrentar um mundo negro de violência e dominação. À medida que o tempo passa, e com o risco de morte iminente, torna-se claro para Vicki que a única forma de escapar é virar os dois serial killers um contra o outro. Baseado em crimes reais, “Hounds of Love” é um thriller muito negro, intenso e cruel, que explora os conceitos da libertação do controlo psicológico e da violência doméstica. É a primeira longa-metragem de Ben Young, realizador que até então se tinha dedicado à televisão. O filme teve direito a estreia no Festival de Veneza.
Opinião: De facto a sinopse diz tudo, este filme é qualquer coisa de brutal dada a realidade nua e crua que nele foi impressa.
A acção é passada nos anos 80 e a cinematografia está excelente na captura dos detalhes característicos desta década, bem como a banda sonora inicial do filme que também contribui para este ambiente assustador.
Os destaques para personagens vão para o casal cujas psicoses são perfeitamente retratadas. A lentidão com que este filme vai evoluindo consegue envolver o espectador a pouco e pouco na vida do casal e ganha na sugestão da violência a que a jovem raptada vai ser submetida: nada é explícito a não ser os métodos que irão ser utilizados na jovem.
Um filme muito real e intenso.

Nota: 7/10

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

The Bad Batch - Terra Sem Lei (2016)

Sinopse: A jovem Arlen é abandonada numa zona árida do Texas separada da civilização por uma barreira. Enquanto se tenta orientar por entre a paisagem implacável, é capturada por um grupo de canibais selvagens liderados pelo misterioso Miami Man. Com a vida em risco, ela decide fugir ao encontro de um homem a quem chamam O Sonho. Enquanto se adapta à vida no seio da Má Fornada, Arlen descobre que ser-se bom ou mau depende essencialmente de quem se encontra ao nosso lado. Depois de ter chamado a atenção com o western spaghetti vampírico “A Girl Walks Home Alone at Night”, a realizadora Ana Lily Amirpur oferece-nos agora esta ‘odisseia pop pós-apocalíptica’ que conta com nomes de peso no elenco como Keanu Reeves, Jim Carrey, Jason Momoa ou Diego Luna.


Opinião: Este filme é um bom exemplo de que é preciso mais qualquer coisa do que ter 3 nomes sonantes no elenco.
A acção até começa por ser interessante, apesar de estranha, mas depois entra numa espiral de falta de diálogo, falta de história e falta de interesse nas personagens.
As personagens,  em especial a protagonista, são muito fracas e com diálogos por vezes sem sentido. As prestações de Keanu Reeves, Jim Carrey e Jason Momoa são quase ridículas e nulas.
É um filme bastante aborrecido onde não há diálogo em grande parte dele e cujo espaço de acção é maioritariamente um deserto.

Nota: 5/10

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

The Void (2016)

Sinopse: Quando um misterioso e violento culto ameaça assaltar um hospital isolado, um agente da polícia, juntamente com o pessoal do hospital, preparam-se para fortificar o edifício e impedir a entrada dos estranhos. Mas, enquanto aguardam aquele que será provavelmente o combate das suas vidas, irão descobrir que o verdadeiro terror já se encontra dentro do hospital. Combinando a atitude estética do terror moderno dos anos 1970 com os efeitos especiais artesanais que dominaram os filmes de monstros dos anos 1980 e início dos 1990, os realizadores canadianos Steve Konstanski e Jeremy Gillespie, que começaram no colectivo Astron-6 (“Father’s Day”), apresentam-nos este conto aterrador pejado de tensão e claustrofobia intensas reminiscentes de “The Thing”, de John Carpenter.

Opinião: Após ler algumas sinopses, todas evidenciavam semelhanças com "The Thing" de Carpenter e inclusive mencionavam este filme como uma masterpiece. Com a expectativa ligeiramente elevada percebi depressa que embora existam semelhanças a nível de efeitos, a qualidade não é de todo comparável.
A acção é um pouco confusa tendo como ponto de partida um agente da polícia que encontra um homem ferido na estrada e o leva para o hospital. Neste hospital, coisas estranhas estão a ocorrer, não necessariamente relacionadas com a acção inicial. As personagens não despertam interesse ou simpatia e o guião é bastante medíocre. Um ponto positivo para quem aprecia ou cresceu com filmes de terror dos anos 80, vai apreciar os efeitos especiais bem como a atmosfera e o cenário criados.
Penso que o filme perde na tentativa de misturar várias influências pois de facto consegue, e bem, remeter-nos para uma série de clássicos do horror mas no fim traduz-se em nada.
Não aconselho de todo.


Nota: 5/10

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Super Dark Times (2017)

Sinopse: Início dos anos 1990, num subúrbio estado-unidense. Zach e Josh, estudantes de liceu, são os melhores amigos há muito tempo. Os dois partilham vários interesses, incluindo a atracção pela colega Allison. No decorrer do que parecia ser um dia normal com os amigos, um trágico e sangrento acidente irá criar uma clivagem entre os anteriormente inseparáveis adolescentes. A primeira longa-metragem de Kevin Phillips, que se segue à curta “Too Cool for School” de 2015 (Semana da Crítica de Cannes), tem sido comparada a “Stand by Me” e “Donnie Darko”, obras que marcaram gerações. Esta história de amadurecimento, «alternadamente sensível e gore», de acordo com a Variety, foi anteriormente seleccionada para os festivais de Roterdão, Tribeca e Fantasia.


Opinião: Sendo o filme de abertura do Motelx 2017 não poderia perder a exibição do mesmo, no entanto ao visionar o trailer não fiquei muito impressionada pois pareceu-me tratar-se mais de um drama do que de um filme de terror e, de facto, não ficou longe disso.
Esta acção transporta-nos para aquele inicio dos anos 90 em que não existiam tablets, internet ou telemóveis e onde única diversão seriam os videojogos, para quem os tinha, e encontrar-se com os amigos inventando coisas para fazer. É assim que esta longa nos apresenta as suas personagens, centrando a acção em dois melhores amigos que numa tarde normal juntamente com outros dois, acontece um acidente que os obriga a encobrir uns aos outros.
As personagens são muito bem construídas e o guião é excelente, embora estes actores sejam ainda muito jovens, executam com perfeição e naturalidade os papeis. O ponto fraco deste filme será a lentidão no desenvolver dos acontecimentos a determinada altura e a rapidez sangrenta, se calhar exagerada, do final.
Ficou ainda por perceber, a cena inicial em que a polícia encontra um veado morto dentro de uma sala de aula numa escola, que não parece relacionado com o resto da acção.
É um bom filme, no entanto mais drama/thriller do que terror.

Nota: 7/10

El bar (2017)

Sinopse: Nove horas da manhã: algumas pessoas tomam o pequeno-almoço num café no centro de Madrid. Uma delas, um homem, está com pressa. Ao sair para a rua, um tiro atinge-o inesperadamente. Ninguém se atreve a ajudá-lo. Presos dentro do café, todos se apercebem rapidamente de que nem deles próprios estão a salvo... É o regresso do mestre Álex de la Iglesia à comédia de género e a um tema já antes explorado em filmes como “Common Wealth”, “800 Bullets” ou “Witching and Bitching”, ou seja, personagens enclausuradas num único espaço físico. Para explorar este tema, Iglesia conta com o seu parceiro desde “Mutant Action”, Jorge Guerricaechevarría. O filme foi estreado mundialmente na última edição do Festival de Berlim.


Opinião: Numa altura em que o cinema de terror espanhol está fortíssimo, não podia perder esta comédia negra de Iglesia.
Conforme a sinopse, a acção é muito simples e passada em grande parte do filme num café. Iglesia explora a natureza humana, o instinto de sobrevivência e o medo de forma divertida. Ainda que não muito aprofundadas, no decorrer do filme temos os elementos essenciais para perceber cada uma das personagens e qual será possivelmente o seu papel no desenrolar da história. Após perceberem o motivo pelo qual o homem que saiu do café foi atingido por uma bala certeira, inicia uma nova luta pela sobrevivência com outros contornos. Um guião muito bom, um ambiente quase a lembrar uma telenovela espanhola e um especial destaque para a personagem de Israel, fazem desta longa uma boa aposta.


NOTA: 7 /10
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt5121816/

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Killing Ground (2016)

Sinopse: Ian e Samantha viajam até a um parque nacional na esperança de que a natureza lhes proporcione um espaço para desfrutarem de alguma tranquilidade juntos. Chegam a um acampamento isolado onde encontram um jipe e uma tenda abandonados. À medida que escurece e os ‘vizinhos’ não aparecem, Ian e Sam começam a sentir um certo desconforto. A descoberta de uma criança aflita à deriva pelos bosques desencadeia uma corrente de acontecimentos sinistros que vão testar o jovem casal até ao ponto de ruptura.
 A Austrália tem uma longa tradição de survival thrillers que tiram partido das suas vastas paisagens. Este “Killing Ground” insere-se nessa categoria, mas cultiva estruturas narrativas novas que continuam a colocar a ilha-continente no pelotão da frente deste género de filmes.

Opinião: Killing Ground insere-se bem no estilo de "Wolf Creek", não tendo no entanto a mesma intensidade.
A acção constrói-se mostrando o passado e o presente o que ajuda o espectador a se envolver na história e sem nunca mostrar claramente os momentos de terror permitindo ao nosso imaginário trabalhar nesse sentido. Criamos simpatia pelas personagens e numa área em que normalmente todas têm um laivo de heroísmo, deparamo-nos com o contrário o que muito provavelmente estará mais próximo da realidade.
Este filme prova que não é preciso grandes cenas de gore para ser um bom filme, basta um bom guião, um bom espaço de acção e o trabalhar da nossa própria imaginação. Aconselho.


NOTA: 7/10
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt4728386/

domingo, 23 de abril de 2017

I Spit on Your Grave 2 (2013)

Sinopse: A jovem e bela Katie (Jemma Dallender) sonha em conseguir seguir a carreira de modelo em Nova Iorque. Sem dinheiro para pagar uma sessão com um fotógrafo profissional, ela vê um anúncio de um homem que tira fotos de graça. 

Mas a inocente sessão acaba culminando na jovem sendo violada, humilhada, drogada e sequestrada. Ela acorda noutro país, mas, ao tentar escapar, é enterrada viva. Apesar de todas as probabilidades contra ela, a jovem sobrevive. E agora, Katie vai buscar uma brutal vingança contra aqueles que tanto lhe fizeram mal.

Opinião: Contra todas as probabilidades no que diz respeito a uma suposta sequela, este é um filme a não perder. Digo suposta sequela pois a acção em termos de personagens, nada tem a ver com o primeiro, apenas segue o mesmo tipo de história.
Ao passo que o primeiro filme foca muito na cena de violação e arrasta bastante esse momento, sendo rapidíssimo o momento de vingança, este filme é o contrário. Vemos o suficiente do sofrimento da jovem e os pontos altos do filme prendem-se com a extraordinária vingança que ela prepara, cheia de gore e sofrimento.
Bom passo, excelente ambiente, bons actores.

NOTA: 8/10

A Autópsia de Jane Doe (2016)

Sinopse: Para Tommy e Austin, dois médicos legistas que são também pai e filho, esta é uma noite igual a tantas outras passadas na morgue, até que chega um estranho cadáver sem identificação. 

Descoberta na cave de uma família que foi brutalmente assassinada, a jovem Jane Doe – assustadoramente bem preservada – está envolta em mistério. À medida que eles trabalham noite fora para descobrir a causa de morte, os dois homens vão desenterrando os perturbadores segredos da sua vida. Rapidamente, uma série de horrendos eventos tornam algo claro: Jane Doe pode não estar morta.

Opinião: Com uma sinopse bastante apelativa e tendo em conta os últimos filmes de terror que se tem visto por aí, pensei que fosse apenas mais um mas de facto vale a pena.
Logo desde o início, a acção consegue prender-nos a curiosidade sobre a identidade desta Jane Doe. A atmosfera criada, a construção das personagens e o espaço da acção criam o cenário perfeito e compensam o facto da conclusão final do filme não ser tão esclarecedora quanto gostaríamos.
Guião e actores muito bons. Vale a pena ver.

NOTA: 7/10


sexta-feira, 21 de abril de 2017

O Bosque de Blair Witch (2016)

Sinopse: James e os seus amigos Peter, Ashley e a estudante de cinema Lisa aventuram-se agora pelo mesmo bosque denso, cada um com uma câmara, para desvendar os mistérios que cercam os transpostos desaparecimentos.


No início, o grupo tem esperança em desvendar algumas pistas, especialmente quando os moradores locais Lane e Talia oferecem-se para ajudar como guias através da escura e sinuosa floresta. Mas com o avançar da noite, o grupo é intercetado por uma presença ameaçadora. Lentamente, começam a perceber que a lenda é muito real e muito mais sinistra do que eles poderiam ter imaginado.

Opinião: À semelhança dos demais, fui grande fã do Projecto Blairwitch que despoletou grande parte dos filmes género Found Footage e como naturalmente, a curiosidade por esta produção era muito. No entanto, a expectativa era baixa pois estas produções visam fazer algum lucro com sucessos passados e é muito raro correr bem e não me enganei.
A acção tem como fio condutor a procura de James pela irmã  Heather, uma das jovens desaparecidas  no primeiro filme.
Nada de inovador ou surpreendente ocorre durante toda a acção, os actores são bastante fracos e pouca ou nenhuma empatia conseguem criar no espectador.
Em termos de ambiente, existem de facto momentos assustadores mas não o suficiente para fazer desta longa um grande filme.
Muito fraco.

NOTA: 4/10

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

The Devil's Candy (2015)

Sinopse: Música heavy metal, tinta fresca e a família são as paixões de Jesse, um pintor que luta por se afirmar. Vive feliz com a esposa Astrid e a filha adolescente Zooey, e as coisas melhoram ainda mais quando conseguem adquirir uma propriedade rural no Texas depois do preço baixar devido ao seu misterioso passado. No entanto, depressa tudo muda: o trabalho artístico de Jesse ganha novos e negros contornos, e as coisas pioram quando o filho dos antigos proprietários lhe bate a porta com o intuito de regressar a casa. Sean Byrne, o promissor realizador de “The Loved Ones”(MOTELX 2010), regressa num filme que classifica como uma “Opera Doom” devido a forte presença de heavy metal na banda sonora mas também na própria narrativa.


Opinião: Como fã de terror e heavy metal, este filme tornou-se praticamente obrigatório para além de ser o filme do encerramento do Motelx 2016.
A acção tem uma linha bastante clássica semelhante a tantos outros filmes ligados ao paranormal aos quais já estamos habituados: uma família que se muda para uma casa onde já ocorreram duas mortes e que por esse motivo é tão barata. No entanto, não se resume só ao paranormal mas também à perseguição do antigo proprietário (cujos pais morreram na casa). Acaba por ser uma espécie de paranormal misturado com home invasion.
Especial destaque para as personagens, muito bem construídas, actores excelentes que nos envolvem num filme nada aborrecido, com alguns momentos cómicos e uma excelente banda sonora. Tem mais de thriller psicológico que de horror mas altamente recomendável a quem gosta de terror e heavy metal.

Nota: 8/10

Southbound (2016)

Sinopse: Num longa autoestrada no deserto, vários viajantes – dois homens que fogem dos seus passados, uma banda a caminho do seu próximo concerto, um homem com dificuldades em chegar a casa, um homem a procura da sua irmã há muito tempo perdida e uma família a passar férias – são forcados a confrontar os seus piores medos e os seus segredos mais sombrios, em histórias aterrorizadoras que se cruzam na estrada aberta. 


“Southbound”é uma espécie de filme-compilação que junta e cruza vários enredos com personagens diferentes, vários pequenos filmes trazidos por uma equipa que na sua maioria trabalhou no já mítico “V/H/S” original e na sua sequela.

Opinião: Mais uma antologia trazida pelo Motel 2016 e verdade seja dita, muito bem trazida.
Esta antologia tem efectivamente uma linha de acção contínua embora com várias histórias entrelaçadas quase numa só. A qualidade da realização e ambiente é excelente, os actores muito bons e as histórias quase todas ao mesmo nível tornam esta antologia deliciosa.
Das cinco histórias, a minha preferida é sem dúvida a
do Acidente. A forma como o atropelamento foi retratado, a forma como o condutor tenta ajudar a vítima e o estado em que a vítima ficou, tudo foi realizado com mestria.
O mais interessante da acção entrelaçada desta antologia é o facto de o início ser o final do filme o que transmite a ideia de uma acção em círculo.
Muito bom, a não perder mesmo.

Nota: 7/10

Holidays (2016)

Sinopse: “Holidays” e uma antologia de terror que tem como tema central os feriados mais populares e amados do mundo. Trata-se de um filme que desafia o nosso folclore, tradições e preconceitos, tornando esta antologia uma celebração do terror naqueles dias especiais que se repetem ano após ano. 

Este conjunto de curtas-metragens encontra o lado negro e sangrento em datas como o Ano Novo, o Dia dos Namorados, a Páscoa ou o Natal, dias que apesar de serem de celebração causam sempre alguma ansiedade e preocupação. No leque de realizadores encontram-se alguns conhecidos do MOTELX como Nicholas McCarthy (“The Pact”e “Home”), Kevin Kolsch e Dennis Widmyer (”Starry Eyes”) ou Kevin Smith (“Red State”).

Opinião: É sempre difícil avaliar este tipo de filme como um todo, no entanto, sendo uma das antologias apresentadas no MotelX 2016 merece o seu destaque.
A antologia apresenta oito histórias baseadas no Dia de São Valentim, Dia de São Patrício, Páscoa, Dia da Mãe, Dia do Pai, Dia das Bruxas, Natal e Ano Novo. A melhor que quase nos deixa com um gostinho por uma longa-metragem será a do Ano Novo com gore e uma acção com algumas surpresas. As mais fracas serão a do Dia de São Patrício e a do Dia da Mãe, embora a primeira tenha uma menina com um ar mesmo assustador que podia ter sido conduzida de outra forma. Todas as outras são razoáveis, com destaque para a do Dia do Pai com uma acção bem inteligente.
A não perder.

Nota: 6/10

sábado, 10 de setembro de 2016

Holocausto Canibal (1980)

Sinopse: Uma equipa de filmagens, liderada pelo realizador Alan Yates, desaparece sem deixar rastos enquanto roda um documentário sobre canibais na Amazónia. O professor Monroe lidera uma equipa de salvamento, mas só encontra as bobinas deixadas pela equipa desaparecida. Em Nova Iorque, ele e os executivos da estação de TV assistem, em choque, ao material bruto filmado por Yates.

 “Cannibal Holocaust” foi banido em vários territórios e Deodato acusado de homicídio em Itália, tendo de provar que os seus actores estavam vivos. O realizador usou de forma engenhosa os mecanismos daquilo que se viria a chamar “found footage”, tornado popular com “The Blair Witch Project”, quase 20 anos depois.

Opinião: Pouco haverá mais a dizer sobre um clássico como este que já não se saiba. Para a época, um filme genial que veio chocar o mundo trazendo muitos dissabores ao seu realizador Ruggero Deodato.

A primeira parte do filme está baseada na expedição da equipa de salvamento para descobrir o que aconteceu com a equipa de documentários desaparecida há dois meses. Aqui são-nos apresentados alguns dos brutais costumes das tribos envolvidas e a forma como esta equipa de salvamento tenta ganhar a sua simpatia.
Na segunda parte, Deodato explora o que 20 anos depois viríamos a classificar de “found footage”. Para além do brutal gore e violência psicológica muito bem filmados para a época, o realizador devolve também uma forte crítica social aos Estados Unidos que nos é dada de forma, por vezes, não tão subtil, com o racismo e a dicotomia entre o selvagem e o civilizado e como os dois conceitos se confundem. Esta dicotomia é bastante notada na viragem dos primeiros 50 minutos para os últimos.
Um clássico obrigatório.

Nota: 10/10

Baskin (2015)

Sinopse: Cinco agentes da polícia estão a jantar quando são interrompidos por uma chamada de emergência de Inceagac, uma localidade conhecida por ser habitualmente o foco de estranhos rumores. Durante o caminho, uma figura ensanguentada na estrada fá-los despistar o carro para dentro do rio. Mesmo assim, os agentes conseguem chegar a Inceagac e descobrem num edifício abandonado vestígios de um culto que lhes irá literalmente abrir os portões do Inferno… 

Can Evrenol, velho conhecido do MOTELX, exibiu três das suas curtas no Festival, incluindo “Baskin” que deu origem a esta longa-metragem comparada a “Hellraiser” ou aos filmes de Lucio Fulci. Estreado em Toronto, “Baskin” ganha uma nova relevância à luz dos recentes acontecimentos políticos na Turquia.

Opinião: Não sendo um género popular na Turquia, era com grande curiosidade que aguardava esta longa-metragem.
A acção nao tem nada de especial, pelo menos nos primeiros cinquenta minutos de filme. Assistimos às conversas descontraídas dos polícias, com forte conotação sexual, até ao momento em que recebem uma chamada para se deslocarem a um local estranho. Aqui sim o ambiente começa a tornar-se assustador, nalguns momentos até a lembrar O Projecto Blair Witch. Também é a partir daqui que a linha da acção quase deixa de existir e fica tudo um pouco confuso num misto de sonho e realidade, criaturas comedores de carne, tortura etc
Sendo um primeiro trabalho turco neste âmbito, vale a pena ver embora com muitas questões a melhorar. Ambiente e actores muito bem, acção não devia ter sido tão descurada a favor do torture porn.

Nota: 6/10

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Polednice (2016) aka The Noonday Witch

Sinopse: A meio de um Verão atipicamente quente, Eliška muda-se para a aldeia onde o marido nasceu, com a filha pequena, Karolínka. O seu retorno está associado a um mistério que todos têm presente menos a rapariga. À medida que o calor se vai tornando insuportável, o mesmo se passa em relação à tensão entre mãe e filha. 

A juntar a isto, os locais começam a ver semelhanças entre a situação de Eliška e uma velha lenda da região. Sol escaldante e milharais dourados não são os ingredientes naturais de filmes de terror sobrenaturais, mas é essa a aposta do jovem realizador Jirˇí Sádek, de apenas 27 anos, em co-produção com a HBO. Esta estreia checa no MOTELX é inspirada por um poema homónimo de Karel Jaromir Erben, que ficou conhecido pela sua poesia baseada em temas tradicionais e folclóricos.

Opinião: Classificado com um filme de terror é mais um que, à semelhança de Shelley, engana e muito.
Q acção está bem construída, com alguns segredos para aguçar a curiosidade, mas ainda assim desenrola-se de maneira que rapidamente suscita falta de interesse. As personagens têm um bom desempenho, embora o guião por vezes deixe muito a desejar e a imagem, ambiente estão absolutamente perfeitos.
O facto é que não se trata de um filme de terror, quanto muito um drama familiar. Importa salientar que a nota a atribuir é do ponto de vista do filme de terror.

Nota: 6/10

The Neighbor (2016)

Sinopse: John e a namorada, Rosie, vivem em Cutter, no Mississípi, ganhando dinheiro com negócios ilegais. Um dia, Rosie olha através do telescópio que têm na sala e vê o vizinho Troy a fazer algo terrível no terreno no exterior da sua casa. 

Troy parece olhar na sua direcção. Quando John regressa a casa irá descobrir que espécie de mal se esconde na propriedade do vizinho. “The Neighbor” é o novo filme de Marcus Dunstan, depois de “The Collector” (2009) e “The Collection” (2012), ambos com o actor Josh Stewart e com um conceito de algum modo similar - pessoas encurraladas dentro de casas. Dunstan forma uma dupla de argumentistas com Patrick Melton, com o qual também escreveu várias sequelas de “Saw”.

Opinião: Marcus Dunstan demonstra já ser um mestre em filmes passados dentro de casas com pessoas encurraladas, perseguidas e em luta pela sobrevivência.
No  inicio do filme, estamos a falar talvez dos primeiros quarenta minutos, a acção é construída por forma a dar uma base às personagens fazendo com que o espectador simpatize com as mesmas. Ao mesmo tempo é-nos, a pouco e pouco, sugerido o que está errado e que vai ser então o fio condutor da acção.
Um tensão brutal, o ambiente perfeito e Josh Stewart mais uma vez a dar cartas no papel principal.
Bom filme a não perder.

Nota: 7/10

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Shelley (2016)

Sinopse: Elena, uma jovem romena, chega à Dinamarca para trabalhar como governanta na casa de campo de um casal, Louise e Kasper. A rotina de Elena inclui cuidar da frágil Louise, que devido a um aborto espontâneo ficou impossibilitada de ter filhos. Desesperada por ser mãe, Louise oferece uma avultada soma de dinheiro para que Elena seja barriga de aluguer. 


A sua gravidez traz alegria à casa, mas o comportamento de Elena altera-se. Parece que a vida dentro dela está a tomar forma demasiado depressa... “Shelley” foi rodado na Suécia, por um realizador iraniano, com produção dinamarquesa. Estreou no último Festival de Berlim, convoca clássicos como “Rosemary’s Baby” e “The Omen” mas num contexto socioeconómico europeu muito contemporâneo.

Opinião: Com uma sinopse que não desperta grande interesse, a curiosidade por ser um dos filmes candidatos ao Prémio Melhor Longa Europeia MotelX 2016 foi mais forte.
A acção decorre de forma muita lenta e aborrecida e deixa muitas pontas soltas relativamente ao modo de vida do casal. Todo o filme tem um ar mais de drama do que propriamente terror, não há gore, não há possessões (como a certa altura se dá a entender) e no final não se entende muito bem o que afinal se passou ali.
O ambiente torna-se interessante do ponto de vista em que vivem numa casa de campo sem luz, sem agua canalizada e apenas com um telefone fixo para permanecerem contactáveis. As personagens não criam grande empatia
embora o casting das mesmas, especialmente Elena, tenha sido feito de forma inteligente.
Não é de todo um filme que recomendaria como terror.

Nota: 6/10

Nem Respires (2016)

Sinopse: Três jovens ladrões decidem fazer um último golpe juntos, um assalto à casa de um homem cego abastado. Depois de criarem o plano perfeito, arrancam para aquele que julgam ser o assalto mais simples que já levaram a cabo. Mas estão enganados. O dono da casa esconde vários segredos e vai-se revelar um grande obstáculo para eles. 

Depois de realizar o remake do famoso “Evil Dead”, Fede Alvarez volta a dar cartadas no género de terror com um filme de home-invasion ao contrário. Elementos fundamentais deste subgénero como o som, o silêncio, o espaço limitado da acção e a movimentação das personagens complementam-se aqui de forma perfeita e dão à luz momentos de tensão de cortar a respiração.

Opinião: Aguardava com alguma expectativa o visionamento deste filme, não só por ser o escolhido para a cerimónia de abertura do MotelX 2016 mas também por ser obra do realizador do excelente remake de Evil Dead.
A acção tem uma linha até bastante simples, permite-nos perceber o background das personagens até ao momento do assalto à casa. A partir daqui, muda completamente a perspectiva em que a vítima passa a ser o atacante.
O ambiente é extremamente tenso, num jogo de gato e rato, complementado com algumas surpresas por parte do homem cego e aparentemente inofensivo. Fede Alvarez provou que vai continuar a dar cartas no género e ficamos a aguardar os próximos.
Foi um excelente início de programa para o MotelX 2016 e estreia amanhã dia 08/09 nas salas de cinema portuguesas.


Nota: 9/10

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

The Conjuring 2 - A Evocação (2016)

Sinopse: O reputado casal de investigadores de fenómenos paranormais formado por Ed e Lorraine Warren, embarca num dos casos mais aterradores da sua carreira e viaja até Enfield, a norte de Londres, para ajudar uma mãe solteira a criar quatro crianças numa casa assombrada por espíritos maliciosos.


Opinião: Embora seja um filme que nao desaponta enquanto sequela, acaba por deixar um sentimento de qualquer coisa em falta.
A acção é muito semelhante ao primeiro, com a possessão de uma menina por um espírito extremamente agressivo. Tudo se desenrola em torno da luta da família contra este espírito e de como o casal Warren é enviado a Londres para proceder à investigação sobre a veracidade da possessão ou não. 
Em certas cenas, sendo um filme de terror, existe um apelo exagerado ao sentimento nomeadamente entre o casal Warren que, a meu ver, ficam um pouco deslocadas.
Foi jogar pelo seguro, manter o mesmo ambiente, mesmo tipo de acção e eis que temos uma sequela de A Evocação (2013), de longe muito melhor que este.

Nota: 6/10

quinta-feira, 3 de março de 2016

Annabelle (2014)

Sinopse: Ela assustou-nos a todos em "The Conjuring –A Evocação", mas este é o lugar onde tudo começou para Annabelle. Capaz de um mal indescritível, a boneca real existe e está fechada num museu oculto em Connecticut, recebendo apenas a visita de um padre que a abençoa duas vezes por mês. 

"Annabelle" o novo Thriller sobrenatural da New Line Cinema começa antes do mal ter sido libertado. John Form encontrou o presente perfeito para a sua esposa grávida, Mia, uma rara e bela boneca vintage com um vestido de casamento branco puro. Mas a alegria de Mia com Annabelle não dura muito tempo. Numa noite horrível, a casa é invadida por membros de um culto satânico, que atacam violentamente o casal. Mas sangue derramado e um rasto de terror não é tudo o que deixaram para trás. Os membros do culto invocaram uma entidade tão maléfica que nada do que fizeram pode comparar-se à entidade maligna que é agora ... Annabelle.

Opinião: Guardei alguma expectativa relativamente a este filme, principalmente por ser um spin-off de A Evocação (2013)  , mas também pelo trailer apelativo. Infelizmente não se mostrou assim tão interessante como prometia.
A acção consegue prender desde o início com a explicação da forma como a boneca Annabelle foi possuída por um espírito maligno e o desespero do casal com um recém-nascido em perceber os eventos estranhos que se passam em sua casa.
Os actores até são bastante credíveis e o ambiente bem criado, no entanto não traz de novo ao género lembrando por vezes Insidious ou The Possession. 

Nota: 6/10

Insidious: Chapter 3 (2015)

Sinopse: Desta vez, os acontecimentos narrados dizem respeito a um tempo anterior ao assombro da família Lambert. Acompanhamos a psíquica Elise Rainier, que acaba por aceitar, apesar de não logo à primeira, o caso de uma adolescente que se tornou instrumento duma entidade sobrenatural. Rainer terá de estabelecer contacto com o além e comunicar com os mortos para ajudar a jovem e salvar-lhe a vida.


Opinião: Insidious 3 desta feita pela mão de Leigh Whannell, é uma prequela aos dois primeiros filmes e incide principalmente na personagem de Elise Rainier e na sua dificuldade em lidar com o seu dom de comunicar com o além.
A acção inicialmente consegue-nos prender ao drama pessoal da jovem Quinn que tenta desesperadamente contactar com a falecida mãe. Provavelmente devido a estas tentativas, Quinn atrai um outro espirito maligno. Até aqui a acção ate faz sentido mas começa a tornar-se repetitiva, sem nada a ver com os filmes passados e ridícula com a chegada de uma espécie de “caça fantasmas” que acabam por destruir o pouco ambiente que a acção conseguiu criar.
Os actores são credíveis e o guião também não está mal. São de esperar alguns sustos e é um filme que entretém, no entanto, nada com a qualidade dos filmes anteriores.

NOTA: 6/10

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Pandemia (2009)

Sinopse: Quatro jovens conduzem pelo deserto em direcção à praia, mas a situação não é o que aparenta ser: eles não estão de férias, tentam antes sobreviver ao fim do mundo. Determinados a impedir o vírus mortífero de os infectar, Danny, o seu irmão Brian, a sua namorada Bobby e a colega de escola de Danny, Kate viajam pelo sudoeste americano em busca de um possível lugar seguro. 

Encorajado por uma memória de infância, Danny convence o grupo que uma praia isolada no Golfo do México será a melhor aposta. Lá, eles podem viver em paz, aguardando a extinção do vírus, para um novo dia nascer vendo-os como sobreviventes à doença apocalíptica. As regras deste novo mundo são simples: ir por estradas obscuras; evitar contacto com outros humanos a todo o custo. Mas a sua atitude despreocupada começa a desaparecer com o tempo, a sua inocência vai-se corroendo pelas estradas e cidade vazias, nas batalhas com outros sobreviventes ou na tentativa de impedir que
os infectados se aproximem com um desesperado pedido de ajuda.

Opinião: Mais um filme que parecia ter a ver com mais uma infecção de zombies, conforme trailer sugere, que afinal se mostrou ser algo diferente.
A acção é bastante simples mas bem construída e mostra-nos não só a luta pela sobrevivência mas como se vai perdendo a inocência de forma gradual à medida que se caminha num mundo em decadência. Se vamos à procura de gore e horror, este não é o filme para isso visto o foco não estar na causa e efeito do vírus em si mas sim na forma como a maneira de pensar das pessoas evolui. Os actores são bons e o ambiente também mas penso que se situa mais na linha do thriller/drama do que do terror. A minha classificação é como filme de terror. Como drama daria um 6/10.

Nota: 4/10